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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Viver



               Estar aqui, diante dessa imensidão azul, me faz enxergar o passado e presente em constante sincronia. O que eu já fiz e o que estou fazendo são, respectivamente, a mesma coisa. E o que farei amanhã, também.

            O som que é entoado do mar, das águas batendo nas rochas, vindo e levando os minúsculos grãos de areia, são psicologicamente prazerosos. Não é excitante. Mas acalma as minhas veias, o meu peito, o meu coração. E é nesse exato momento que eu percebo o significado de ter uma alma.
            A tristeza que antes sentia, já não sinto. A angustia que me percorria todos os dias da minha vida, foram levadas pelas águas fortes, dizimadas pelo sal e transformadas em pequenos grãos de areia. Um pouco da minha história – triste – permaneceu ali.
            Os meus dons. Eles voltaram. E eu sinto vigor e vontade de exercê-los: Arranhar as cordas de um violino, entoando melodias que fariam o meu próprio coração em carne chorar. Assoprar um dourado saxofone e sentir a minha alma ser sugada através do instrumento e das notas tocadas.
            E escrever.
            Aquilo que me deixa vivo. O sentido da minha vida. O meu futuro legado: Escrever. Falar comigo mesmo, através de palavras que não são imaginadas, não são previstas... Apenas, escritas.
            Você voltou.
Eu voltei.
E as algemas que prendiam as minhas mãos já não são mais capazes de me conter. Porque eu voltei. E mais forte do que nunca. E o medo eu já não sinto. Já não tenho.
            Hoje, agora, posso me olhar no espelho e ver quem realmente me tornei. Perdedor, não. Sonhador, talvez. Guerreiro, com certeza.
            Neste exato momento, o sol lá fora está tão forte, o céu está tão azul e a brisa sopra em minha direção. Este é o sentido de estar vivo. E ao escrever esta confissão, sinto-me mais do que vivo: Sinto-me útil.
            Eu não sou feliz, porque ninguém realmente é. Mas sou como todos os outros que buscam a felicidade: Eu sou um guerreiro.
            Não sei se o meu final será feliz. Se as pessoas se lembrarão da minha história. Se terminarei casado, ou solteiro. Se estarei acompanhado, ou sozinho. Mas a certeza que tenho, neste momento, é que eu estou vivo, e disposto a continuar vivendo.
            Vivendo intensamente, através do meu violino, do meu saxofone, dos meus amigos, da minha família, do meu grande amor e das histórias que eu escrevo, e que continuarei a escrever...
            Até o último dia.


Valdir Luciano, 13/09/2014
Balneário Gaivota – Itanhaém SP